segunda-feira, 10 de agosto de 2009
LEMBREI DE MEU PAI E CHOREI
Dia desses recebi um e-mail de um amigo com um vídeo. Achei logo que era uma das centenas de sacanagens que recebo sempre. Para minha surpresa, era um vídeo de Roberto Carlos, cantando uma música que não sei o nome, mas que todos conhecem (vejam o vídeo). A música me fez lembrar de meu pai. Ele morreu em 2002, no dia 16 de dezembro. Era um cara feliz, íntegro, metalúrgico, querido de todos. Gostava de tomar umas, apreciava um conhaque e uma roda de samba. Minha casa, aos finais de semana, vivia cheia de violeiros, Me lembro agora do Sr. Antônio Rosa, já falecido, e do Zecão, esse toca um monte de instrumentos e, pelo menos, cantava um samba daqueles. Seu Antônio gostava mais de uma seresta. Apreciava uma cachaça, tinha uma coleção em sua casa. Meu pai priorizava os nossos estudos, não deixava a gente trabalhar quando adolescentes. Dizia que ele tinha condições de nos sustentar e que a nós cabiam os estudos. Nos ensinava, a mim e meus irmãos, e exigia respeito em relação às pessoas. Era especial, como minha mãe o é. Foi acometido de uma doença que atingiu os rins, o que fez com ele se submetesse há anos de hemodiálise. Enfrentava tudo com a cabeça erguida, apesar do sofrimento que compartilhava com minha mãe. Essa assumiu a vida de meu pai como sendo a dela. A cada sofrimento, cada dor que ele sentia, era como se ela estivesse sofrendo, sentindo a dor de meu pai. A cada dia, as coisas pioravam, meu pai na famosa fila do transplante, pedindo ao seu Deus, junto com mamãe, para sua vez chegar. Mudaram para Belo Horizonte, junto com minhas irmãs. Não dava para suportar mais as condições do Hospital Márcio Cunha e nem o Márcio Cunha poderia ajudar mais meus pais. A luta voltou-se para a Capital Mineira, junto ao Hospital Felício Rocho. Apesar das dificuldades de Belo Horizonte, pelo menos meu pai estava num centro onde tinha mais condições de se tratar, amenizando sua situação. Meu pai continuava na fila de transplante de rins, até que um dia recebeu um telefonema, chamando-o para fazer exames, pois havia chegado um rim compatível com ele. Uma euforia tomou conta de todos, principalmente de minha mãe. Meu pai foi para o hospital e no mesmo dia, ou no seguinte, fez o transplante. Melhor seria não ter feito naquele momento, mas como alguém poderia imaginar o que estava por acontecer? A partir do transplante, o sofrimento voltou. Ele sequer conseguiu sentir-se aliviado e feliz com a realização de seu sonho: o transplante. A rejeição e outras complicações levaram meu pai para cama, perdeu parte dos movimentos, perdeu sua consciência. Sua cama era uma cama de hospital, colocada em seu quarto. A cadeira de rodas tornou-se sua companheira. Ao seu lado, minha mãe se consumia com a tristeza de ver meu pai naquele estado e por se sentir culpada pela situação de seu amado, apesar de tudo que fez e continuava a fazer. Sentia-se impotente. Agora, o sofrimento dos dois era maior, com a diferença que minha mãe tinha plena consciência do que estava acontecendo, já meu pai, não sabia mais quem era todos. Na maior parte do tempo não sabia onde estava ou quem era. Apenas alguns lampejos de consciência. Depois de tanto sofrimento, do transplante e de mais sofrimento, papai se foi. E mamãe está aqui, sofrendo as conseqüências de seu sofrimento, também pedindo ao seu Deus para ajudá-la. Pena que não ouviu meu pai, e nem ouve minha mãe. Fazer o que...... E a música? Especial Roberto Carlos, poucos dias depois na TV. Eu estava no salão da Cris, esperando para ir embora. Começa o especial e Roberto Carlos começa a cantar “Olhe, dentro dos meus olhos, vê quanta tristeza......” Lembrei do meu pai e chorei, cantando a música. Depois volto ao assunto.
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