sábado, 22 de agosto de 2009

A MÍDIA SERVIL



“Não me canso de repetir: o Brasil é o único país do mundo que conheço onde os jornalistas chamam o patrão de colegas e o sindicato até se prontifica a entregar-lhe a carteirinha.”Mino Carta, jornalista, sem diploma.

Encontra-se na internet e muito se lê nos blogs desconectados dos grandes portais e dos barões da imprensa, que José Serra, governador de São Paulo, conseguiu calar a imprensa paulista com acordos publicitários e comerciais. Recentemente (01/10/2008), por exemplo, a Secretaria de Estado da Educação, comandada pelo ex-Ministro da Educação do governo FHC, Paulo Renato, celebrou contrato coma Editora Abril para adquirir 220 mil assinaturas da revista Nova Escola,no valor de R$ 3,74 milhões. Não houve procedimento licitatório, porque, espertamente, o governo contratou a Fundação Civita, da própria Abril. O Ministério Público investigou, depois de denúncia do Dep. Federal Ivan Valente do PSOL. Ajuizou ação de improbidade em face de diversas autoridades estaduais.

O controle da imprensa não é um privilégio só do governador tucano de São Paulo. Em Minas ocorre o mesmo. O tucano Aécio Neves também exerce controle absoluto sobre a mídia. Além da colaboração dos chefões da grande imprensa mineira, conta com a presença ameaçadora de sua irmã Andréia Neves, responsável pelo esquema de controle da imprensa. Age como um general em guerra.

Qualquer comentário que desagrade o governo estadual é motivo para retaliações. Não é incomum a demissão de jornalistas por terem feito críticas ao governo tucano em Minas.

Aqui no Vale do Aço, sinto que as coisas não são muito diferentes. Se analisarmos os jornais regionais que aqui circulam, constataremos que a situação é a mesma. Nenhuma ou pouquíssimas linhas desfavoráveis ao governo estadual.

Em relação aos governos municipais, o teor das matérias é de acordo com a conta publicitária. Se há algum investimento, qualquer que seja, haverá matérias sobre as ações administrativas. Todavia, a qualidade e a quantidade das matérias dependerão do “grau de investimento”, A, B e C. Grau A, muitas matérias, Grau B, algumas matérias, a maioria em páginas menos importantes. Grau C, vez em quando, para dizer que o periódico faz a devida cobertura das ações municipais.

Agora, sem “investimento”, sem matérias, a não ser matérias ácidas, até mesmo para se obter o tal “investimento”.

A mídia move-se pelo poder de investimento do Estado. E o Estado controla a mídia e ela se deixa controlar para que ela sirva aos seus interesses e ele sirva aos seus. Não é à-toa o destempero da chamada grande mídia em relação ao governo Lula e a benevolência em relação aos governos Serra e Aécio, por exemplo.

Fico pensando nos profissionais de imprensa. Uns fazem realmente o jogo dos seus patrões. São servis. Outros, quero crer que a maioria, devem ficar loucos com a ingerência sobre suas matérias. Ingerência essa que tem como objetivo apenas garantir os “investimentos” recíprocos de governos x elite x grande imprensa.

Voltando a Minas Gerais. Postei o vídeo acima, que é um documentário que mostra como Aécio Neves controla a imprensa, impedindo que notícias negativas em relação ao seu governo sejam publicadas. Denuncia a demissão de jornalistas que se recusam a seguir a orientação do governo estadual. O documentário foi produzido na Inglaterra, por Daniel Florêncio, brasileiro. Vale à pena assisti-lo

Sobre a questão, sugiro, também, a leitura do texto Macartismo Mineiro, de Pedro Venceslau, publicado pela Revista Forum. O link para a matéria é http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=1403

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