sexta-feira, 16 de outubro de 2009

ALCEU, O PAPAGAIO DO FUTURO

Duas belas canções de Alceu Valença. "Na primeira manhã", que faz parte do disco "Coração Bobo", de 1980; do disco "Sol e Chuva", de 1997, e do disco "Ao Vivo em Todos os Sentidos", de 2003. A outra é "Solidão, do disco "Mágico", de 1984; do "Sol e Chuva", de 1997, e, de novo, "Ao Vivo em Todos os Sentidos", de 2003.

Alceu tem um site oficial muito legal, como era de se esperar. No site encontrei seu blog "Papagaio do Futuro", e fiquei sabendo que há dez anos Alceu está na luta para fazer um filme. Parece que ele se chamará "O Cordel Virtual" ou "A Luneta do Tempo".

Alceu Valença fez os seguintes comentários em seu blog sobre o filme:

"Depois de dez anos tentando captar dinheiro para meu filme, Cordel Virtual ou a Luneta do Tempo, finalmente consegui levantar uma verba para rodá-lo no sertão de Pernambuco. Neste momento, estamos em fase de pré-produção aqui em Olinda. O que me mais motivou fazer um filme musical foi me debruçar sobre as nossas raízes. Este projeto nasceu de uma maneira supernatural. Após a morte de meu pai eu quis fazer um inventário de tudo o que ele e São Bento do Una me legaram. Personagens de minha infância, a música das feiras, os auto-falantes do Cine Rex invadiam minha cabeça e não me deixavam dormir. Mas me faziam sonhar.

Comecei a escrever um romance, até que um dia me encontrei com Waltinho Carvalho, que me perguntou se eu estava criando muito. Mostrei a ele um texto e ele disse: Isso é cinema. A partir daí, entramos em um projeto no Ministério da Cultura e eu comecei a transformar o romance em um roteiro cinematográfico. Conseguimos aprovar o projeto, mas captação é uma coisa muito complicada, sobretudo para quem não tem um lado comercial muito aguçado como eu. Não sei bajular ninguém nem pedir em causa própria. Finalmente conseguimos viabilizá-lo porque as pessoas foram chegando: os produtores Tuinho Schartz e Monica Botelho, a diretora-assistente Elza Cataldo, minha mulher Yanê Montenegro, entre tantas outras.

Cordel Virtual ou a Luneta do Tempo é um musical que não segue a linha de nenhum musical tradicional. No fundo, é um mergulho que faço em minha infância, no meu passado e este passado tem a trilha sonora das ruas do Nordeste, dos cantadores anônimos, coquistas, violeiros, emboladores, cegos arautos de feira, da música de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, do samba-canção dos anos 50, da música contemporânea brasileira. Um documento para se pensar a cultura do Brasil e do Nordeste. Vivemos um tempo em que as referências estão submetidas ao dinheiro e a modelos descartáveis. A arte está virando apenas um negócio e isso me preocupa. Tenho uma noção de que dinheiro não tem pátria e se a pátria não tem cultura, não há necessidade de pátria."

Agora é esperar "O Cordel Virtual" ou "A Luneta do Tempo".

O problema vai ser o filme chegar até aqui., considerando que o valor que se dá ao cinema brasileiro é ínfimo.

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