domingo, 22 de novembro de 2009

A POLÍTICA, OS REPRESENTANTES E OS REPRESENTADOS

OS OPERÁRIOS, de Tarsila do Amaral



Política. Sempre que esta palavra é pronunciada, a primeira coisa que, normalmente se vem à cabeça é “políticos” e por conseqüência, as mazelas do país e do mundo. Por que mazelas? Porque em cada mazela está a mão de uma pessoa com poder de decisão. Poder esse, outorgado pelas pessoas vítimas dos atos praticados por quem deveria representá-las.
Lembro-me das primeiras noções de política enquanto estudante. Aquela velha história da política originada na Grécia; da polis – cidade-estado; e do politiko – cidadão. Aprendi e creio que ainda assim se ensina, que política é o conjunto de atos dos cidadãos, com diferentes formas de pensar, na construção, organização e administração de uma comunidade, sociedade, de um Estado.
Daí advém também a história da democracia. Êta palavrinha de pronúncia facial, mas de difícil compreensão e entendimento. Principalmente quando se trata da democracia representativa. Aí entram os atuais “políticos”, que “representam” os diversos segmentos sociais. São de diversas matizes ideológicas que, de uma forma ou de outra, em sua maioria, acabam enganando e iludindo aqueles que dizem representar.
O mundo da política, aqui entendido como o meio onde se convivem esses “representantes” é um verdadeiro labirinto construído de forma que as pessoas não o compreendam. A arrogância e o jogo de interesses predominam e prevalecem sempre. O “tal do povo”, a coisa e o interesse públicos ficam sempre distantes, enquanto os interesses pessoais, transvestidos de coletivos, afloram a todo momento.
As pessoas, no exercício do poder que lhes foi outorgado pela população se embrenham nas disputas mesquinhas e travam verdadeiros cavalos-de-batalha em defesa de escusos interesses ou em defesa da sua permanência no poder. Esquecem essas que o poder que acham que têm é efêmero. Esquecem essas que, considerando a profissionalização da política, aqui no mau sentido, precisarão do povo que agora ignoram e enganam invariavelmente.
Essas pessoas, “os políticos”, que lutam bravamente por seus interesses pessoais ou por interesses de seus mais próximos, poderiam usar a mesma força para lutar pelo interesse comum da população que dizem representar. Poderiam contribuir com a construção real da cidadania, exercendo o verdadeiro sentido da política, ensinado pelos gregos. As coisas poderiam ser diferentes.
Ocorre que os investidos de mandato, em sua maioria, seja de esquerda ou de direita, defendem a manutenção do status quo. Os primeiros, de esquerda, se escondem nos discursos sem fundamento e sem função para satisfazer alguns que, ainda, acreditam na possibilidade de alguma mudança. Os outros, de direita, são mais claros e objetivos, não precisam de subterfúgios para enganar e iludir.
Infelizmente, as ações dessas pessoas não têm nenhuma sintonia com o discurso, às vezes recheados de frases de efeito para, como disse, agregar valores e apoios dos desavisados. Suas atitudes contribuem com o descrédito e com a perda do sentido real da palavra “política”, que deve ser sempre relacionada à “coisa pública” ou à “coisa comum”, com o coletivo, com a forma de viver e de nos relacionar uns com os outros, levando-se em consideração a pluralidade de pessoas e pensamentos.
Na realidade, os de esquerda e de direita acabam se entrelaçando e envergonhando a todos, menos a eles. Exercem seus mandatos como um negócio privado. Utilizam a força e a representação que têm como moeda de troca com os representados, como se o exercício do mandato fosse uma penitência a ser paga ou uma pena a ser cumprida. Se ali estão, é porque se colocaram à disposição e, bem ou mal, foram escolhidos, devendo, com dignidade, exercer o verdadeiro papel de representação.

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