sábado, 17 de abril de 2010

IVO: UM EQUÍVOCO DE ALTO PREÇO

Ivo José da Silva, o conheço desde os tempos de grupos de jovens. Naquela época eu não era ainda um jovem propriamente dito e ele já estava deixando de sê-lo. Sempre nos encontramos nas lutas travadas no Vale do Aço. Desde a Chapa CUT Ferramenta, passando pelas eleições que ele disputou desde então. Ele já recebeu meu voto algumas vezes e não me arrependo por isso.
Sempre o respeitei enquanto político e pessoa.
Ivo estava quieto em Brasília e diante dessa confusão que se tornou Ipatinga, o buscaram para ser candidato a Vice-prefeito, juntamente com Lene Texiera, que também a conheço há muitos anos.
Reconheço o esforço dos dois na construção do Partido dos Trabalhadores, mesmo sempre tendo militado em trincheiras opostas dentro do Partido. Eles têm história partidária, sem contestações, apesar das discordâncias.
A vida dá muitas voltas e a política é a estrada com o maior número de curvas e retornos, idas, vindas e atalhos. Porém, suas estradas sempre acabam por se cruzar. Pode-se dizer que, como o mundo, a política dá muitas voltas.
Hoje estamos vendo o desenrolar do processo eleitoral em Ipatinga. Foi um processo desgastante o suficiente para tocar em toda a militância petista do Vale do Aço. Acompanhei de cá do meu canto. Com ele quem quis, aprendeu, principalmente o povo do Partido de Ipatinga.
Rasteiras, conchavos, articulações, acordos, desacordos, saídas e voltas. Bolas nas costas, tentativa de destruição.
Tentaram destruir Cecília e Chico. Um grande erro. Têm defeitos? Sim, muitos. Não são santos e tenho certeza que nunca tiveram a pretensão de ser, nem poderiam. Mas com todos os erros cometidos, mereciam, no mínimo, mais respeito por parte do Partido que também ajudaram a construir. Mais respeito pelo que representam para o povo de Ipatinga. Muitos que hoje tentam descontruí-los são o que são, chegaram onde chegaram, graças a eles. Lado outro, muitos que tentam ajudá-los, nunca precisaram ou puderam contar com eles. São as estradas da política e suas curvas.
Encerrada a disputa jurídica que envolveu a eleição de Ipatinga, com a derrota dos dois principais candidatos nos Tribunais, surgiu o vereador Robson, presidente da Câmara Municipal, que foi galgado à com condição de prefeito interino de Ipatinga.
Numa atitude vacilante e equivocada, o PT, no início do governo Robson, resolveu apóia-lo. Parte de seus militantes, ligados ao grupo de João Magno e Ivo José passaram a ocupar cargos importantes no governo.
Passado algum tempo, o PT se deu conta da besteria política que havia feito: o apoio a um prefeito que nada tem a ver com o projeto maior do PT. Apoio a um Partido que é oposição intransigente ao governo Lula.
Infelizmente, parte dos militantes do PT continuou no governo. Dizem que hoje são ex-militantes petistas.
O governo Robson é tutelado e dirigido pela bajulada liderança do delegado-deputado Alexandre Silveira, que conseguiu abraçar o governo municipal e seu comandante como se fossem propriedades privadas. Qualquer ato, qualquer ação administrativa, lá está o deputado e o prefeito, que para os mais desatentos, parece ser o próprio deputado.
Marcada a eleição extemporânea, o PT lança Lene Teixeira e Ivo José. Do lado de lá, Rosângela do PV e Robson Gomes pelo PPS. Chico Ferramenta e seu grupo, em uma das perigosas curvas da política foram alijados do processo. Cometeram o erro de declarar apoio à candidata do PV, que também não tem nenhum compromisso com o projeto petista para Ipatinga e para o país.
As eleições são suspensas, Sebastião Quintão alimenta a ilusão de que retornará à Prefeitura. Chico fez o mesmo. Fizeram o que deveriam ter feito. Os dois morreram abraçados neste intento.
Entre a suspensão da eleição e a marcação de uma nova ocorreu o PED. Ipatinga, para vergonha geral, não conseguiu quorum para renovar o Diretório Municipal. O primeiro turno para eleição da direção partidária foi um fiasco. No segundo, Chico Ferramenta entrou na disputa em apoio ao Deputado Reginaldo Lopes, creio, e ajudou a alavancar mais de dois mil votos no processo eleitoral, sendo vencedor o candidato apoiado por ele e hoje presidente estadual do Partido.
Sem diretório municipal, o PT de Ipatinga, então o mais estruturado do Vale do Aço, passou a ser dirigido por uma Comissão Provisória.
Novas eleições são marcadas para Ipatinga pela célere Justiça Eleitoral. Acordos são fechados. Cecília Ferramenta é proclamada candidata à prefeita, com Ivo José de vice. Lene Teixeira, candidata a deputada estadual, e Saulo Manoel, candidato a deputado federal.
A partir daí, começam os boatos. Começam a surgir estórias ou histórias de que a pretensa liderança maior de Ipatinga, quiçá do Vale do Aço, o delegado-deputado, começa a pressionar parte do PT para não aceitar Cecília como candidata a prefeita. Chega ao cúmulo do absurdo de dizer que Robson abriria mão de ser candidato a prefeito para celebrar um acordo com o PT, ou melhor, com Lene e Ivo, pois com “os Ferramentas”não há diálogo. No dia seguinte, Robson desautoriza (que coragem!) o delegado-deputado e diz que é candidato. Rosângela Reis mostra a verdadeira face e declara apoio Alexandre, digo, Robson. O deputado Quintão diz que se fosse preciso faria aliança até com o PT, desde que não fosse com os Ferramentas.
Eles devem ter comemorado as declarações dos opositores, pois ser preterido Alexandre e Quintão é prova de que eles não têm compromisso com essas turmas.
A estratégia da oposição estava clara, fazer a cizânia no PT, no melhor estilo “Asterix e Obelix”.
O PT continua as negociações e é confirmado o acordo celebrado e ungido pela direção estadual: PT unificado com Cecília e Ivo José.
Ledo engano!
Para surpresa da maioria dos militantes petistas e do povo de Ipatinga, Ivo anuncia que não será candidato a vice-prefeito com Cecília Ferramenta. Um direito que lhe assiste, mas um equívoco político que fará com que ele pague um preço muito alto.
A partir de sua decisão, boatos e indagações começam a surgir: Qual a participação do delegado-deputado na decisão de Ivo José? Por que ele ficou incomunicável durante alguns dias, antes de anunciar sua decisão? Com quem estava discutindo? Por que fez o acordo, com o aval da direção partidária estadual, e depois recuou? Haveria um acordo velado entre Ivo e parte do PT de Ipatinga com o PPS para derrotar “os Ferramenta”? Haveria garantia de aprticipação e ou manutenção de petistas e ex-petistas num fuuro governo de Alexandre, ou melhor, de Ronbson?
O tempo ou um vídeo responderão essas questões.
Mas como disse, a política é constituída de estradas tortuosas. A desistência de Ivo levaria à busca, obviamente, de outro candidato a Vice-prefeito para ajudar na vitória de Cecília e do PT. Porém, para a surpresa de todos ou de quase todos, Ivo José anuncia que é pré-candidato a prefeito.
Haveria, então, necessidade de prévia, já que Cecília já era pré-candidata. Mais uma confusão.
Qual seria a reação de Chico diante da possibilidade de prévias? Teria Ivo José blefado com a história de prévias, tão traumáticas em Ipatinga?
Para os apressados, Chico relutaria, mas como um bom jogador de xadrez, fez uma jogada de “xeque”, aceitando a realização de prévias, que foram marcadas pra 21 de abril, dia que será dado o “mate”.
No dia 21, possivelmente algumas das perguntas sem respostas poderão ser respondidas. Mas existe uma que deveria ser respondida de imediato: a que ou a quem serve a candidatura de Ivo José neste momento?
Dia 21 de abril de 2010, que o resultado seja semelhante ao do dia 31 de maio e ao do dia 03 de outubro: que vença a força da mulher. Que vença Cecília, para colocar Ipatinga e certas auto-proclamadas lideranças em seu devido lugar.

Ipatinga merece e Cecília e Chico já provaram que sabem e podem fazer de minha terra, Ipatinga, um lugar mais feliz e alegre para se viver.
Assim, Cecília Ferramenta Prefeita, rumo ao dia 21 de abril, rumo ao dia 31 de maio. Depois,
Dilma Presidente, rumo à vitória em 03 de outubro.

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