sábado, 12 de setembro de 2009

ELEIÇÕES DE IPATINGA, UM JOGO DE XADREZ



No posto que tratei da decisão do PT de Ipatinga, lancei algumas perguntas, para as quais não tinha, naquele momento, respostas. Hoje, depois da pole de Hamilton e a quinta posição do Barrichello para o grande prêmio de Monza amanhã, fui dar uma olhada nos jornais. Quem me conhece sabe que não acredito nos órgãos de imprensa. No entanto, todos os jornais que por aqui circulam noticiam o mesmo sobre o dia seguinte à escolha do Diretório do Partido dos Trabalhadores. A coisa está feia e algumas perguntas já podem ser respondidas.
Pelo que entendi, existe uma possibilidade de aliança entre PT e o PPS. Do outro lado, caso Cecília fosse a escolhida, haveria uma possibilidade de aliança entre PT e PV.
Dizem que os partidos morreram e o que vale são as pessoas e suas intenções. Eu discordo. Se assim fosse, seria melhor que se permitissem as candidaturas avulsas. Digo isso, porque é complicado ver o PT querer se aliar com dois partidos que fazem oposição ao PT, desde seu nascedouro.
No caso do PPS (Roberto Freire), ele é o braço do PSDB e do DEM na luta contra o PT (Lula) e seu governo.
Quanto ao PV (Fernando Gabeira, o guerrilheiro arrependido), faz o jogo dos outros três, apesar de ter participado do governo Lula, ocupando o Ministério da Cultura até a metade do segundo mandato.
No plano estadual, os quatro apóiam o governo Aécio e o PT, ao contrário, faz oposição.
De qualquer forma, dizem os entendidos da política que as questões locais devem, de certa forma, dissociar das questões estaduais e nacionais, porque nas cidades, o que conta mesmo são as pessoas e nem tanto os Partidos. Deve prevalecer o interesse da população e da cidade, podendo haver alianças distintas das desejáveis, nos âmbitos estadual e nacional, alegam.
Antes que alguém diga, não estou esquecendo da coligação que foi formada em Fabriciano, onde vários partidos vieram apoiar o Partidos do Trabalhadores e ajudaram a reconduzir Chico Simões ao seu segundo mandato consecutivo. Além de não esquecer, acho que foi importante para enfrentarmos a gangue que queria tomar a PMCF de assalto.
Mas voltando a Ipatinga.
Chico Ferramenta e a Deputada Cecília Ferramenta concederam entrevista informando que recorreram à Executiva Estadual do PT, questionando a decisão do Diretório Municipal. Eles não têm maioria no diretório Estadual. Acho que sabem que não dará em nada, mas politicamente, faz parte do jogo. Além do mais, o Diretório Estadual não teria coragem de decidir contrariamente ao Municipal.
De acordo com os jornais, Chico e Cecília, mais a legião de militantes que os apóia, não estarão com Lene, marcharão com Rosângela Reis. Se isso for verdade, a possibilidade do quarto andar ser ocupado pela Rosângela Reis aumenta. Cecília está numa posição mais desconfortável, porque tem mandato. Se apoiar a Rosângela, de acordo com o jornais, poderá ter problemas com o PT. Já o Chico, não terá muitos problemas. No caso dele, o PT terá muito mais a perder e ele pouco a explicar diante do que está acontecendo.
No Diário Popular é publicada uma entrevista com o Robson, onde ele vislumbra a possibilidade de ser candidato a vice-prefeito. Achei isso estranho, posto que há uma semana atrás ele pediu apoio a Chico Ferramenta para sua candidatura a prefeito.
Estará Robson sendo rifado por seu partido e pelo Deputado Alexandre, em razão de sua colocação nas pesquisas? Será que o PT, diga-se Lene e seus apoiadores, já fecharam um acordo com o PPS? Pelo o que é noticia o Jornal Vale do Aço de hoje ,parece que sim, Robson, Alexandre e Lene, muito próximos e confidentes em uma solenidade na ACIAPI.
É patente a satisfação de Alexandre Silveira com a escolha de Lene. Só que ele não pode esquecer, é que Lene leva o nome do PT, muito identificado com Chico Ferramenta.
Muita água para correr sob a ponte. Dia 16, quarta-feira, as decisões serão tomadas.
Sem levar em consideração os passos do MIU – Movimento Unificado de Ipatinga – e de Sebastião Quintão, vislumbro três cenários: 01 - uma disputa com apenas duas candidaturas, entre Chico Ferramenta e Alexandre Silveira, digo, Rosângela Reis e Lene ou Robson; 02 – uma disputa com três candidatos, Rosangela Reis, Robson e Lene, com a possibilidade dessa última, desistir na reta final para apoiar Robson, considerando a proximidade entre os dois últimos; 03 - uma possível aliança entre Rosângela, Alexandre e Lene, numa tentativa de isolar Chico e, por conseqüência, fortalecer, como liderança local, Alexandre Silveira.
O jogo político de Ipatinga pode ser comparado com um jogo de xadrez, como me disse um amigo. Ele tem razão. Neste momento, qualquer peça mal movimentada pode ser a entrega do rei, o xeque-mate. Lembrei a ele duas qualidades do Chico Ferramenta, sobre a primeira tenho certeza, sobre a segunda, por ouvir dizer. A primeira, sem muita relação com essa história, é que ele gosta das canções de Elomar, a segunda é que ele é um bom jogador de xadrez. Sendo assim, não entregará o rei tão facilmente.
Quanto ao MIU, está aguardando o resultado do recurso que tramita no TSE. Aposta no provimento do recurso, o que significaria a suspensão das eleições e o possível retorno de Quintão ao quarto andar.
Ainda, tem o “recurso do Chico Ferramenta” que tramita no STF. Se o recurso for provido Chico assume a PMI e jogo político passa a ter outra conformação.
Além dos recursos de Chico no STF e de Quintão no TSE, não esqueçamos da ação cautelar requerendo a suspensão das eleições, o que também colocaria tudo por água abaixo, adiando a solução em relação à escolha em definitivo, do prefeito de Ipatinga.
Já ia esquecendo, quanto às minhas perguntas, mesmo que eu tenha alguma resposta, melhor esperar o desenrolar dos acontecimentos, apesar de que, elas parecem ter respostas óbvias.

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