segunda-feira, 12 de outubro de 2009

DOZE DE OUTUBRO


Dia 12 de outubro. Dia das crianças e dia da padroeira do país, Nossa Senhora Aparecida. Mera coincidência, eu acho. Em relação à padroeira, apenas uma coisa contra, que não tem nada a ver com ela especificamente. O problema são as pessoas, seus adoradores, pra variar. Aproxima o meio-dia e o inferno se abre na Terra e, para comemorar, muitos começam a soltar rojões e foguetes. Um barulho infernal. Torra-torra de dinheiro explícito. É irritante e incompreensível o motivo de tanto barulho. Como sofrem as cachorras aqui de casa. Henrique não entende a barulheira .

Lembro, quando adolescente, no Melo Viana, um senhor que, ao meio-dia, saía para rua, levantava seu velho revólver 22 e apertava o gatilho cinco vezes. Todo ano era a mesma coisa, dizia que estava homenageando a Santa. Nesta época eu já achava ridículo os foguetes e muito mais os tiros. Pelo menos hoje, em comparação há anos passados, os foguetes diminuíram um pouco. Fazer o que? Cada um comemora e gasta seu dinheiro do jeito que acha melhor.

Já em relação ao dia das crianças, é tão falso quanto comemorar dia da mãe, dia do pai, do namorado, do avô... Não passa de uma data para incrementar o comércio. E parece que tenho razão. Vejamos:

No Brasil, o dia 12 de outubro foi escolhido como sendo o dia das crianças a partir de uma proposta legislativa do Deputado Federal Galdino do Valle Filho, em 1920 ou 1924. A provado projeto de lei, a data foi oficialmente regulamentada através do Decreto 4.867, de 05 de novembro de 1924, expedido pelo presidente Arthur Bernardes. Apesar da oficialização data em 1924, só passou a ser comemorada mesmo a partir de 1960, quando a Fábrica de Brinquedos Estrela fez uma promoção conjunta com a Johnson & Johnson para lançar a "Semana do Bebê Robusto" e aumentar suas vendas. A partir desta promoção, é que a data passou a ser comemorada. Ou seja, dia das Crianças é comemorado com muitos presentes, num lance meramente comercial.

Conforme informações publicadas no site Brasil Escola, na maioria dos países, segundo a ONU, o dia das crianças é comemorado no dia 20 de novembro, em alusão à aprovação da Declaração dos Direitos da Crianças. Comemora-se também no dia 01 de junho em Portugal e Moçambique, no dia 14 de novembro na Índia, no último domingo de outubro na Nova Zelândia. No Japão uma curiosidade, lá tem dia dos meninos, 05 de maio, e dia das meninas, no dia 03 de março. (Se quiser ler mais, clique aqui.

Apesar de ser uma data comercial como tantas outras, ela tem sua função: é um dia onde os “pecadores” podem se redimir um pouco, doando alguns minutos ou tostões para algumas crianças. Agindo assim, mesmo ignorando o que passa ao seu redor no outros 364 dias do ano, poderão dormir por mais um ano com a consciência tranquila.

Ah, claro que o Henrique ganhou um presente. E por incrível que possa parecer, tão antigo quanto a data e, ainda por cima, da Estrela.


Por curiosidade, fui buscar quem foi o tal Deputado Galdino do Valle Filho. Encontrei o seguinte o site do Díario de Pernambuco:

Nascido em Trajano de Morais, MG, em 24 de setembro de 1879 e faleceu em Niterói, RJ, em 11 de maio de 1961. Médico por formação, o político nasceu em 24 de setembro de 1879 e, por algum tempo, exerceu a profissão numa clínica do interior de Minas Gerais. Em 1911, foi eleito vereador e presidente da Câmara de Nova Fiburgo (RJ), para onde se mudou.

Uma das primeiras providências foi levar a luz elétrica à cidade. Galdino também conseguiu que fosse construído um hospital naval. Apenas um ano depois, já era deputado estadual. Ficou no cargo por 10 anos até ser eleito deputado federal por três vezes. Muito querido na cidade fluminense, também foi prefeito de Nova Friburgo. A idéia de determinar um dia só para as crianças surgiu no início da década de 1920. Quatro anos depois, apresentou o projeto, que foi aprovado pelos colegas deputados.

Oficialmente, a data surgiu com a assinatura do Decreto 4.867, de 5 de novembro de 1924, assinado pelo então presidente da República, Arthur Bernardes. Além de político, Galdino alistou-se voluntariamente no corpo de saúde dos batalhões que lutaram contra o levante tenentista de 5 de julho. Por causa disso, com a vitória da revolução de 1930, teve que se exilar em Portugal, para evitar perseguições. Mas o exílio não evitou que fosse considerado um inimigo político de Getúlio Vargas, o líder da revolução, que assumiu o governo.

Galdino foi preso várias vezes, acusado de ser comunista. Passado esse período, elegeu-se mais uma vez, trabalhou como professor de medicina e fundou dois jornais. Morreu em 11 de maio de 1961, antes de ver a data que criou se transformar num evento somente comercial. Foi na década de 1960 que os fabricantes de brinquedo decidiram investir na propaganda para fazer com que o Dia das Crianças fosse associado ao consumo. Uma coisa que, com certeza, Galdino não gostaria que tivesse acontecido.

Um comentário:

  1. Datas comerciais são o Diabo: já fomos (pelo menos eu fui) contaminado por essa cultura e cometo atos capitalistas que colaboram para que esses dias continuem por muitos anos.

    Sobre o foguetório... particularmente, não vejo problemas. O brasileiro gasta muito mais foguetes após os jogos de futebol. Não custa nada agradar a Santa, coitada, que já foi muito mais prestigiada.

    Lembro que, na minha infância, ficava ansioso pelo foguetório do dia 12. Mas, nos últimos anos, eles estão cada vez mais minguados. Diminuiu mto a farra da pólvora (sorte dos seus cachorros ateus.. rsrs).

    Abraços,
    Marcelo Bolzan

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