terça-feira, 13 de outubro de 2009

BARACK OBAMA, POR JOSÉ SARAMAGO


O José Saramago, realmente, é outro que pode ser chamado de "fodão". Em quatro curtas frases ele justifica, sinteticamente, o Prêmio Nobel da Paz concedido a Barack Obama.

"Falou-se muito de Barack Obama neste blog, alguns dirão que demasiado. Quando uma esperança nasce há que saudá-la conforme o seu merecimento, e este parecia não ter limites.É possível que comece a dizer-se que o Prémio Nobel da Paz foi prematuro, mas não o é se o tomarmos como um investimento…Graças a ele talvez Obama ganhe ainda maior consciência de quanto o necessitamos."

(Texto acima, intitulado "Barack Obama", extraído do Blog de José Saramago - O Caderno de Saramago, escrito em 10/10/2009.)

Em 20 de janeiro de 2009, J. Saramago já tinha dedicado um texto a Obama: Donde?

Donde saiu este homem? Não peço que me digam onde nasceu, quem foram os seus pais, que estudos fez, que projecto de vida desenhou para si e para a sua família. Tudo isso mais ou menos o sabemos, tenho aí a sua autobiografia, livro sério e sincero, além de inteligentemente escrito. Quando pergunto donde saiu Barack Obama estou a manifestar a minha perplexidade por este tempo que vivemos, cínico, desesperançado, sombrio, terrível em mil dos seus aspectos, ter gerado uma pessoa (é um homem, podia ser uma mulher) que levanta a voz para falar de valores, de responsabilidade pessoal e colectiva, de respeito pelo trabalho, também pela memória daqueles que nos antecederam na vida. Estes conceitos que alguma vez foram o cimento da melhor convivência humana sofreram por muito tempo o desprezo dos poderosos, esses mesmos que, a partir de hoje (tenham-no por certo), vão vestir à pressa o novo figurino e clamar em todos os tons: “Eu também, eu também.” Barack Obama, no seu discurso, deu-nos razões (as razões) para que não nos deixemos enganar. O mundo pode ser melhor do que isto a que parecemos ter sido condenados. No fundo, o que Obama nos veio dizer é que outro mundo é possível. Muitos de nós já o vinhamos dizendo há muito. Talvez a ocasião seja boa para que tentemos pôr-nos de acordo sobre o modo e a maneira. Para começar."



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