Desde que o Presidente do Atlético Mineiro resolveu mudar a camisa de treino dos jogadores, adotando o rosa como cor principal, começaram as brincadeiras de bom(?) e mau gosto sobre a opção do presidente atleticano.Obviamente, que também não deixei de brincar e caçoar dos meus amigos, colegas e até desconhecidos, esses via internet. E-mails brotaram de todos os cantos, charges e músicas foram criadas de todas as formas e modos. Invariavelmente, as brincadeiras e comentários diziam respeito à questão do uso do rosa, exclusividade das mulheres ou dos homossexuais. Ledo engano de todos nós.
O presidente do Atlético chegou a dizer que em Minas só o Atlético poderia usar, pois isso era para macho, numa clara referência ao time de “viados” e sua torcida de mesma orientação. Do lado de lá, quase meio milhão de chacotas com o mesmo tom.
Assim, continuou e iniciou as mais variadas e fortes declarações contra “viados”, gay e cia. em razão do uso da camisa rosa.
Desde o início, apesar de ter brincado e muito com a história, fiquei lembrando de uma propaganda do governo federal sobre o racismo que perguntava: Onde está escondido o seu racismo? (algo assim) Agora, diante de tanta bobagem que falamos, me pergunto: Onde está escondida a nossa homofobia? Talvez, inconscientemente, em nossas brincadeiras de mau gosto.
Erramos. Ao fazermos as chacotas em relação ao uso da cor rosa, com a conotação exclusiva na orientação sexual das pessoas, demos uma contribuição negativa para o combate à homofobia e à luta cidadã dos diversos grupos gays e heteros que lutam por igualdade e liberdade sexual. Um direito, assegurado a todos e renegado à maioria.
Não é à-toa que o Brasil é um país onde mais se mata homossexuais no mundo (veja dados abaixo). Não há respeito pelos sujeitos e seus desejos (isso é uma homenagem). Não há respeito pelas opções e orientações das pessoas, que, como cidadãos e cidadãs, devem e têm o direito de ser aquilo que entenderem melhor para serem felizes. Não há a propalada “democracia sexual” e ou racial, que, encarada como produto de marketing poderoso, às vezes invade os meios de comunicação para passar a idéia de país dos iguais, mesmo todos nós sabendo que somos o país dos desiguais e das desigualdades. Não desigualdade no sentido do diferente. Diferente, que bom que somos. Cada um com seu DNA.
Voltando às nossas brincadeiras, mesmo sabendo que homofóbicos não somos, pelo menos espero que meus amigos não o sejam (a maioria sei que não é), temos que pensar e repensar nossas posturas, pois poderemos, com um ato falho ou não, contribuir para o aumento do preconceito e da intolerância.
De qualquer forma, o episódio da camisa rosa, que já está com a página quase virada (não vende mais jornal e nem aumenta a audiência), poder ser útil para nos fazer pensar e responder: a homofobia está escondida dentro de nós?
Grupo Gay da Bahia divulgou importante relatório sobre o assassinato de homossexuais no Brasil em 2009.
Um relatório divulgado no dia 4 de março de 2010, pelo GGB (Grupo Gay da Bahia) informa que 198 homossexuais foram mortos no Brasil no ano passado por homofobia, nove a mais do que em 2008; Bahia e Paraná foram os Estados que registraram o maior índice de homicídios contra homossexuais (25 cada um); dentre os homossexuais assassinados no ano passado, 117 eram gays, 72, travestis, e nove, lésbicas; o Brasil é o país com o maior número de homicídios contra lésbicas, gays, bissexuais e travestis”; cada dois dias um homossexual é assassinado no Brasil; entre 1980 e o ano passado foram mortos 3.196 gays no Brasil.
O relatório foi apresentado pelo antropólogo Luiz Mott, um dos fundadores do GGB, e por Marcelo Cerqueira, presidente do GGB. Outros dados, podem ser lidos aqui.
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