sexta-feira, 13 de novembro de 2009

FUTEBOL


Futebol, paixão nacional. Não minha. Se tem uma coisa pela qual não tenho nenhuma paixão é por futebol. Sequer tenho paciência de ver uma partida por inteiro, a não ser que esteja com amigos para este fim. Caso contrário, fico zapeando entre os canais.

Encaro como mais um esporte que tem algo em especial: “a roubalhareira” e o fanatismo exarcebado de alguns. Times se transforma em seitas. Mas isso também não importa muito.

Não sei o porquê, desde criança optei pelo Cruzeiro, acho que por causa de minha mãe, que um dia deve ter falado que gostava desse time. Meu pai era atleticano. No Rio, ele torcia para o Vasco e, por causa disso, eu também. Depois conheci o tal do Eurico Miranda, parei de torcer para o Vasco. Quanto ao Atlético, não sei o que me levou a torcer contra ele, talvez algum amigo enjoado e fanático deve ter me levado a isso.

No sul, torcia para o Grêmio, em São Paulo para o Corínthias. Ou seja, eu sempre dava um jeito de ter uma vitória no fim de semana e quando todos perdiam, tinha um leque de opções no exterior. Real Madri na Espanha, Milan na Itália, Chesea (?) na Inglaterra ou qualquer outro que ganhasse uma partida, caso todos esses perdessem.

Quando conheci o Nei Franco, através de seu irmão, comecei a torcer para os times do Rio que ele comandava, Botafogo e Flamengo (?). Ainda hoje, acabo por acompanhar, mais ou menos, a sua carreira de técnico. Não por ele, com quem tive uma vez e de quem ganhei um CD do Chico Buarque autografado. Mas por um de seus irmãos, que aprendi a gostar e admirar.

Torcia, como torço para esses times, com uma preferência para o Cruzeiro, mas não ligo para as derrotas. Costumo dizer que enquanto os torcedores brigam, literalmente, passam raiva e se agridem mutuamente, os dirigentes confabulam e os jogadores, não a maioria, continuam a receber altas cifras.

Utilizo o futebol como diversão. Brinco com os perdedores, incluídos os cruzeirenses, e adoro as coreografias das torcidas, em especial a do Flamengo e a do Corínthias. A torcida cruzeirense acho paradona demais. A atleticana demonstra garra e fé em seu time. Um dia disse que, neste aspecto, a torcida cruzeirense tinha muito a aprender com a do Atlético.

Por que disso tudo? Postei dois textos no blog sobre a derrota do Atlético face ao Flamengo. Um, recheado com o gol olímpico do Petkovic em vídeo, muito bonito. O Cara está ficando especialista. Disse que, racionalmente, deveria torcer por uma vitória do Atlético em razão da tabela do campeonato, mas que torceria mesmo para o Flamengo ganhar e azar do Cruzeiro.

Findo o jogo, fui para o computador e lasquei mais um texto alfinetando os atleticanos por causa da derrota. Repeti no texto a letra da “música” cantada pela torcida do Flamengo, provocando os atleticanos em pleno Mineirão lotado, “Dança da Bundinha”. Por sinal, a Globo, carioca, fez questão de destacar a torcida cantando. Achei divertidíssimo e por isso trouxe para o texto. Seria mais uma “arma provocativa” contra os atleticanos, como seria se fosse uma derrota do Cruzeiro ou de qualquer outro time.

Postado os textos, sou abordado por duas pessoas fazendo críticas por eu ter tratado de futebol no blog. A primeira fez uma crítica interessante sobre a viabilidade ou não de tratar de futebol no blog, pois poderia afastar as pessoas. Segundo ele, não há necessidade de falar que eu não gosto do Atlético ou mesmo, necessidade de falar de futebol. Disse a ele que não via problemas nisso, mas que iria pensar no assunto.

A outra, quero crer insuspeita, pois fanática por seu time, o Atlético, também veio ponderar sobre a forma como abordei a questão. Segundo ela, utilizando as expressões que eu usei, no caso, a música “Dança da Bundinha”, meu blog poderia perder credibilidade e as pessoas não me levarem a sério quando eu fosse abordar um assunto que exigisse seriedade. Não deveria “baixar o nível” para falar do Atlético. Poderia comentar futebol de forma mais séria.

Agradeci a crítica e disse que, primeiro, não tenho como comentar seriamente sobre futebol por dois motivos: o futebol não é sério e não tenho conhecimentos futebolísticos para comentar jogos de futebol. Depois, não me interessa parecer crédulo para ninguém e nem tenho que ter amarras para escrever.

Se escrever a palavras como "bundinha", for soinônimo de nível baixo ou falta de credibilidade, estaremos perdidos e ficaremos de nádegas à mostra.

Aqui é um espaço criado para eu me expressar sobre as coisas que me rodeiam, como disse na apresentação do blog, pretendo expor minhas posições acerca do que acontece ao meu redor, sem maiores sem maiores preocupações com as posições alheias. Acrescento, inclusive com quem lê o que escrevo, o que desde já agradeço. Diga-se de passagem, sei de apenas umas poucas. Obviamente que o ditado “quem fala o quer ouve o que não quer” pode ser aplicado aqui da seguinte forma: quem escreve o que quer, ouve ou ler o que não quer.
Portanto, tenho responsabilidade com o que escrevo, apesar de não aceitar as imposições da escrita ou das pessoas.

De qualquer forma, levando-se em consideração a abordagem dos dois amigos, resolvi deixar de falar sobre jogos de futebol aqui no blog. Continuarei não gostando do Atlético, torcendo para o Cruzeiro, para o Corínthias, para Grêmio e para os times do Nei Franco, hoje o Coritiba, e dizem que ano que vem o Cruzeiro. Talvez seja melhor.

3 comentários:

  1. Apos ler este desabafo, penso que o texto merece um comentario, na vida existe coisas alegres, coisas tristes, e devemos lidar com todas elas, entao nao ha motivo para deixar de comentar um pouco de futebol no blog, pois os leitores tem de saber diferenciar um momento de distraçao e um momento de se falar serio, nada disso impede a credibilidade do blog, e os que nao gostarem que desistam de seguir o mesmo.

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  2. Em hipótese alguma tratou-se de um desabafo. Não havia e nem há motivos para tanto.

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  3. Boa tarde.
    Diz a cultura popular que futebol, política e religião não se discute. Particularmente, discordo. No entanto, entendo que os três assuntos são complicados. No caso desse blog, por quem tenho profunda admiração, penso que deveria se restingir a questão política. A razão para tanto é simplesmente o fato de que algumas pessoas não têm discernimento suficiente para aceitar a gozação futebolística. Futebol e política movem paixões e uma vez misturadas podem acarretar algumas manifestações grosseiras (tanto verbal quanto física).
    É obvio que tanto futebolisticamente como politicamente, tenho o mesmo gosto do blogueiro, razão pela qual jamais me sentirei ofendido (basta lembrar as gozações do blogueiro após a decisão da copa libertadores da américa).
    No entanto, até mesmo pela grande capacidade de lidar bem com os assuntos políticos e nem tanto com os assuntos do futebol (rsrsrsrs) é que prefiro a primeira opção.
    Minha preocupação reside tão somente na possibilidade de se questionar as qualidade do blogueiro em razão da associação entre política e aversão pelo clube atlético mineiro (que, se Deus quiser, vai perder para o Curitiba).
    Abraços.

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